Por Morgana
Iracunda está acima do peso. Não se importa com questões estéticas, mas está com problemas decorrentes da obesidade.
Comenta com sua personal Elfa que lhe indica uma “médica maravilhosa” que faz um “tratamento” com uma “substância” que ela, benevolentemente, “vende” mais barato que a farmácia.
Iracunda, contrariada, decide marcar uma consulta.
Momento em que a médica, “botocada”, corpo escultural, seduz. Faz uma anamnese muito completa, isto não se pode negar. Todavia não dá qualquer identificação e origem da “substância”.Combinam de iniciar o “tratamento” após a realização de exames.
Neste ínterim Iracunda solicita informação sobre o nome, princípio ativo e origem da “substância” para poder pesquisar (diz que é para o Plano de Saúde).
Sem resposta, retorna para conversar. Alguma coisa lhe diz que tem algo estranho neste “tratamento”. Diz que está em dúvida e que pode comprar o remédio na farmácia, mediante receita.
Neste momento, em um ato de bondade e compaixão, a “médica”, sem assepsia das mãos, pega uma seringa, enche com a “substância”, de um frasco sem rótulo, inadequadamente armazenado em sua bolsa LV, e injeta em Iracunda dizendo: “Eu não faço isso para todo mundo não, mas para você vou fazer”.
Quanta bondade para efetuar uma venda!! (Sem Nota Fiscal, por óbvio).
Depois de injetar ela diz: “Não coma gordura e você pode ter uma sensação de gripe”.
O quê? Depois de injetar? Iracunda sai dali atordoada.
Quando consegue saber o “laboratório”, pesquisa e verifica tratar-se de uma Farmácia de Manipulação. Encontra reclamações de quantidade e de qualidade (“coisas” flutuando no frasco ou outra substância encontrada). Não há fiscalização ou controle de qualidade, Iracunda conclui.
A “substância manipulada” só é vendida para “médicos-empresa”. Frankenstein neoliberal.
Um cirurgião bariátrico, há mais de uma década, nunca prescreveu o remédio, disponível na farmácia. Mas quando ele seria o “revendedor”, o “médico-empresa” passou a prescrever para todos os seus pacientes. Ou seriam “clientes”?
Bom remédio ou bom negócio?
Médica ou empreendedora do ramo da beleza?
Iracunda pensa. Ninguém pode impedi-la.
Confiar na prescrição daquele que está visando LUCRO com a venda da “substância” não controlada?
Sou paciente ou cliente?
Talvez otária.
Medbusiness. Ou seria máfia médica?
Juram “servir a humanidade” e viram “empreendedores”.
Hipócrates revira no túmulo.